sexta-feira, 11 de março de 2011

I Jornada da Literatura Infanto-Juvenil!



Oi galera!

Tenho o prazer de convidá-los para a I Jornada de Literatura Infanto-Juvenil da FEUDUC que vai homenagear ninguém menos que Maria Clara Machado!

A Jornada contará com apresentações de seminários, mini-cursos, contação de histórias e uma suculenta "Casa de Guloseimas" (como na história de João e Maria), além da "feira literária solidária" que consiste na troca de livros usados sobre (claro)o mundo Infanto-Juvenil. É uma oportunidade única de conhecer um pouco mais sobre essa aventura tão presente nos pequenos curumins e tão longe dos adultos!


Venha, participe! Tragam seus filhos, sobrinhos, netos enfim, a criançada!

Confere Certificado de Participação com horas para Atividades Extras.

Aqui, segue o link da comunidade no orkut e do blog do curso de letras, se puder participe, contamos com sua presença e apoio!

Comunidade: I Jornada de Literatura Infanto-Juvenil


Beijos e um punhado de sorte para todos!

terça-feira, 1 de março de 2011

Hoje a tristeza não é passageira...

Às vezes me sinto tão só
Tão vazia, tão perdida...
Tão madura, tão mesquinha
Tão menina, tão "eu-lírica"

Às vezes, e somente às vezes
me sinto a pior me pessoa do mundo,
e nunca me senti a melhor.
Sinto falta de sentimentos sinceros
Lágrimas sinceras
Felicidade sincera.

Me sinto presa num mundo que não é meu
Em verdades e mentiras que também
não são minhas

Aos olhos que não reflete a luz
lá está o desprezo da vida
Nessa aquarela tão distante
se faz festa na avenida

Às vezes escrevo pra não chorar
outras para esquecer
tão raras para declarar
mas sempre para não endoidecer.

Me sinto tão triste, me sinto tão só
Me sinto tão longe, tão pessimista
Me sinto eu mesma e me sinto ninguém.

Me tranco em meus sonhos que
não vão se realizar
assim como o tempo que nunca volta
em busca de recomeçar...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

UMA NOITE EM 67

       Uma noite em 67, documentário com direção e roteiro de Renato Terra e Ricardo Calil e produção de Beth Accioly, resume em 93 minutos toda a mescla de sentimentos presentes na grande final do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, realizado tradicionalmente em São Paulo.
Essa exposição de sentimentos é tão intensa que dá ao público a sensação de ser “transportado” para os bastidores deste grandioso evento ocorrido no dia 21 de outubro de 1967, há quase 43 anos. Os protagonistas da noite eram ninguém menos que: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Roberto Carlos e Sérgio Ricardo, além das presenças especiais dos grupos MPB-4 e Os Mutantes e Marília Medalha.
       O filme é um inesquecível diálogo entre passado e presente, mostrando as apresentações do festival e os depoimentos dos concorrentes e jurados quatro décadas depois. Um quadro nostálgico da música popular brasileira envolto pelo contexto histórico da Ditadura Militar é o que percebemos nas seis canções donas da noite: Roda Viva (Chico Buarque e MPB4); Alegria, Alegria (Caetano Veloso); Domingo no Parque (Gilberto Gil e Os Mutantes); Ponteio (Edu Lobo e Marília Medalha); Maria, Carnaval e Cinzas (Roberto Carlos) e Beto Bom de Bola (Sérgio Ricardo). Dentre as curiosidades, podemos destacar a cativante apresentação de Caetano que com seu sorriso largo e olhar sincero, conseguiu transformar o descontentamento da platéia em uma calorosa salva de palmas repleta de emoção. O mesmo não aconteceu com Sérgio Ricardo que surpreendentemente arremessou seu violão ao publico em resposta as vaias recebidas e por este feito foi desclassificado. O medo de Gil encarar o palco, quase o tirou da grande final, mas o grande destaque vai para ela: a platéia!
A vontade de aplaudir e vaiar, cantar junto, decorar as letras e viver a mesma entrega do artista no palco é de fato empolgante. O povo vibra, chora, grita se manifesta a favor da música e contempla o espetáculo tornando-o ainda mais estupendo.
        A batalha musical não apresenta o clima de competição (ao contrário dos festivais de hoje), todos queriam ganhar (óbvio), mas a admiração apresentada entre os adversários rendeu um ciclo de elogios sinceros, percebidos nas perguntas dos apresentadores carismáticos Jota Silvestre e Cidinha Campos. Nas mesmas perguntas observa-se também a simplicidade dos jovens artistas que da Tropicália à Jovem Guarda nos proporcionaram um dos mais belos espetáculos históricos da MPB.
       Imperdível, essa é a palavra que define Uma Noite em 67! Imagens incríveis, depoimentos emocionantes, ícones da nossa música, apresentações únicas e um registro ímpar do cenário histórico-musical da década de 60. Não é apenas uma noite, mas uma viagem em 21 de outubro de 1967, onde o “pacote” inclui: pipoca, refrigerante, seis finalistas que nem desconfiavam se tornar as grandes referências do nosso país, violão quebrado, vaias e aplausos, lágrimas e imagens que nos trazem uma indefinível nostalgia!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

OS TRÊS MAL AMADOS

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto in “Os Três Mal-Amados”


sábado, 29 de janeiro de 2011

ALL STAR

        Tudo começou com um mero toque do telefone por volta das 10:30h. Manhã de sol, calor, dia realmente quente e do nada o telefone toca. Era ele! Ele que fez um simples “alô” se transformar na palavra mais linda ouvida naquele dia.
         Eu tinha uns 18 ele 19, num início de namoro quase apagado veio a surpresa: o primeiro telefonema dele pra mim! Pode parecer besteira para muita gente, mas a alegria estampada em meu rosto se estendeu até o fim da noite. Ao ouvir sua voz dizendo “alô” respondi com um “alô” exclusivamente apaixonado e aquele papo bom se rendeu por quase uma hora... Além do homem dos meus sonhos e uma satisfação sem fim um detalhe tornou o momento ainda mais especial: ao fundo ouvia-se a música “All Star – interpretada por Cassia Eller” tanto eu quanto ele amavámos a letra e a versão da Cassia Eller. Tudo perfeito! Fui imensamente feliz nesta singela demonstração de carinho!
          Depois deste, vieram uns 5 ou 6 telefonemas, não com a mesma intensidade nem vontade de jogar conversa fora apenas pelo prazer de se ouvir a voz de quem se ama ou se está apaixonado. Eles vieram para dar justificativas por ausências, desculpas sem nexo e peso na consciência.
           Percebi que o encanto havia se quebrado e me transformei de novo em abóbora. O romance (ou início dele) se acabou de um modo frio, sem cor, sem luz, sem solução! Chorei por horas, dias e meses. Depois passou e assim finalmente aprendi que tudo passa! O tempo cura as dores contudo não apaga as lembranças. São elas que me fazem voltar ao passado e imaginar como seria: “continuar aquela conversa que não terminamos ontem, ficou pra hoje...”

CASSIA ELLER - ALL STAR

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SOLIDÃO

Procuro um lugar
Onde eu possa entender
Tudo que passa
Nessa minha aflição,
Nesse desejo intacto,
De encarar o mundo
Com minhas próprias mãos.
Procuro uma voz,
Um som, um calar,
Um eco que deixe em paz
Meu pensamento.


Procuro um lugar
Onde eu possa explicar
Que onde há solidão
Não há coração,
Mas há poesia, há luz
Há um “ão”
Presente e ausente
Num lugar chamado
Sentimento.

LENINE - É O QUE ME INTERESSA

sábado, 8 de janeiro de 2011

POEMA EM LINHA RETA

Os castelos do deserto desaguam nos sonhos de quem acredita no poder da fé. Quem vive sorrindo a beira do abismo se joga no acaso de quem cultiva a hipocrisia. Nos muros da escola paredes sujas recortam a tinta que dali se apagou e vejo no vento o que sinto no mar, que os castelos da alma abrigam os nós entalados nos becos, no fundo do casco da cerveja de todos os bêbados cheirando o fracasso do que era pra ter sido e não foi. Estranha é essa vida que deixa tudo rolar, cada um faz o que quer sem saber o que se quer... O presente é, enfim um grande castelo de areia onde por mais perfeito que fique sempre será desfeito. 




QUASE SEM QUERER - LEGIÃO URBANA