Lembro do hoje
do ontem
Nada mudou!
O mundo fugiu e não me levou
cada um com sua cruz e eu sem nenhuma...
Lembro do ontem
choro, sorrio, rio
é estranho ver como o tempo passou
como o mundo girou e insistiu em não me levar...
Lembro do agora
palavras em verso, em prosa
palavras que me guiam
já que o mundo continua intacto
lá no seu lado me ignorando sem dó.
Ao tirar meus sapatos,
sinto o chão gelado
após a correria sem fim de um dia tenso.
Lembro do amanhã
me dá medo!
Sinto pena de mim e dos outros
Sinto falta de mim e dos outros
Sinto a vida em mim e nos outros
Mas o mundo continua:
parado, intacto e disposto
a permanecer no mesmo lugar...
Eu aqui, perdida nessa trilha de ilusões
desviando dos falsos abraços e sorrisos,
dependente dos falsos abraços e sorrisos
Isolada no meio de tanta gente
Sangrando diante de uma gargalhada sem fim.
Sofro sozinha!
Os outros não estão preparados para dividir solidão
nem sonhos, nem desejos, nem vitórias.
Só dividem o fracasso, a derrota, o pensamento de culpa
Ninguém quer dividir solidão!
Nem o mundo quis! Vive na dele distante enquanto durmo
dorme enquanto acordo, gira enquanto me disperso...
Estranha é mesmo é essa ideia de felicidade
tem que sorrir pra provar que está feliz
tem que dizer te amo pra provar que ama
tem que ter alguém pra provar que é "impossível ser feliz sozinho"...
Estranho é o mundo que não para: gira, gira e gira
Não oferece ajuda, não olha o céu, não ouve o doce barulho do mar
não sente frio nem dor, só gira e gira e gira...
Lembro do agora
e me enche o peito a vontade de me jogar do último andar
do primeiro prédio que surgir.
A loucura só reina no coração dos bons!
Eu quero me jogar
mas penso no quanto sofreria minha mãe, então esqueço
mas penso no quanto sofreria se ela se jogasse
então a vontade cresce ainda mais!
Eu quero entender esse suicídio espontâneo
Essa gente que cansou do mundo
ou simplesmente se perdeu dele
ou nunca o teve...
Entender o que é certo e errado
perante a Terra e o Céu.
Lembro da vida
Não sei se a tenho
nem se a mereço
Não sei onde o mundo me deixou perdida
Talvez no primeiro passo
Talvez no último suspiro
Minha alma insiste em partir
Mas o corpo insiste em ficar...
A ampulheta que controla o meu dia
impulsiona, grita, chora!
Me diz para continuar
mesmo diante do caos
mesmo diante da luta
mesmo perdida no vazio
de ilusões sinceras
A ampulheta me impede de chegar ao último andar
me impede de ser feliz do meu jeito
Me faz acreditar numa nova Era
alimentar sonhos em vão,
Me diz que o mundo está chegando
para finalmente me esclarecer o que aconteceu.
Penso em tudo
e tudo é nada
nada é o que sinto,
o que sou.
Ampulheta em extinção
contando grão por grão
desejando amarguradamente
o momento exato
de acabar a areia
quebrar-se em mil cacos
e assim viajar
rumo ao mundo que não conheço...
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
YASMIN THAYNÁ
Menina, mulher, sagaz
Eletrotécnica, literata, cineasta.
Cabelos com flor, com cor
cabelos únicos!
Sorriso sincero, olhar tímido
estilo próprio.
Chaveiros exóticos,
mochila pesada
livros e filmes na cabeça.
Escritora assídua, roteirista
leitora, cinéfila, ativista cultural.
Vocabulário próprio, particular
indivisível!

Andarilha das artes
ela faz a sua parte...
Retocando seus detalhes
no atalho do papel.
Tudo até então vivido
fica bem mais colorido
quando numa bela intervenção
Ela joga na tela
o que captam os olhos do coração!
Para a Iguaçuana que mais orgulha meu coração!
terça-feira, 1 de março de 2011
Hoje a tristeza não é passageira...
Às vezes me sinto tão só
Tão vazia, tão perdida...
Tão madura, tão mesquinha
Tão menina, tão "eu-lírica"
Às vezes, e somente às vezes
me sinto a pior me pessoa do mundo,
e nunca me senti a melhor.
Sinto falta de sentimentos sinceros
Lágrimas sinceras
Felicidade sincera.
Me sinto presa num mundo que não é meu
Em verdades e mentiras que também
não são minhas
Aos olhos que não reflete a luz
lá está o desprezo da vida
Nessa aquarela tão distante
se faz festa na avenida
Às vezes escrevo pra não chorar
outras para esquecer
tão raras para declarar
mas sempre para não endoidecer.
Me sinto tão triste, me sinto tão só
Me sinto tão longe, tão pessimista
Me sinto eu mesma e me sinto ninguém.
Me tranco em meus sonhos que
não vão se realizar
assim como o tempo que nunca volta
em busca de recomeçar...
Tão vazia, tão perdida...
Tão madura, tão mesquinha
Tão menina, tão "eu-lírica"
Às vezes, e somente às vezes
me sinto a pior me pessoa do mundo,
e nunca me senti a melhor.
Sinto falta de sentimentos sinceros
Lágrimas sinceras
Felicidade sincera.
Me sinto presa num mundo que não é meu
Em verdades e mentiras que também
não são minhas
Aos olhos que não reflete a luz
lá está o desprezo da vida
Nessa aquarela tão distante
se faz festa na avenida
Às vezes escrevo pra não chorar
outras para esquecer
tão raras para declarar
mas sempre para não endoidecer.
Me sinto tão triste, me sinto tão só
Me sinto tão longe, tão pessimista
Me sinto eu mesma e me sinto ninguém.
Me tranco em meus sonhos que
não vão se realizar
assim como o tempo que nunca volta
em busca de recomeçar...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
SOLIDÃO
Procuro um lugar
Onde eu possa entender
Tudo que passa
Nessa minha aflição,
Nesse desejo intacto,
De encarar o mundo
Com minhas próprias mãos.
Procuro uma voz,
Um som, um calar,
Um eco que deixe em paz
Meu pensamento.
Procuro um lugar
Onde eu possa explicar
Que onde há solidão
Não há coração,
Mas há poesia, há luz
Há um “ão”
Presente e ausente
Num lugar chamado
Sentimento.
Onde eu possa entender
Tudo que passa
Nessa minha aflição,
Nesse desejo intacto,
De encarar o mundo
Com minhas próprias mãos.
Procuro uma voz,
Um som, um calar,
Um eco que deixe em paz
Meu pensamento.
Procuro um lugar
Onde eu possa explicar
Que onde há solidão
Não há coração,
Mas há poesia, há luz
Há um “ão”
Presente e ausente
Num lugar chamado
Sentimento.
LENINE - É O QUE ME INTERESSA
sábado, 8 de janeiro de 2011
POEMA EM LINHA RETA
Os castelos do deserto desaguam nos sonhos de quem acredita no poder da fé. Quem vive sorrindo a beira do abismo se joga no acaso de quem cultiva a hipocrisia. Nos muros da escola paredes sujas recortam a tinta que dali se apagou e vejo no vento o que sinto no mar, que os castelos da alma abrigam os nós entalados nos becos, no fundo do casco da cerveja de todos os bêbados cheirando o fracasso do que era pra ter sido e não foi. Estranha é essa vida que deixa tudo rolar, cada um faz o que quer sem saber o que se quer... O presente é, enfim um grande castelo de areia onde por mais perfeito que fique sempre será desfeito.
QUASE SEM QUERER - LEGIÃO URBANA
QUASE SEM QUERER - LEGIÃO URBANA
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
DILEMA
E se não é pela arte , por que a alma pesando o corpo?
(Aureo Gandur - Os Varandistas)
Traduzir-se - Fagner e Chico Buarque de Holanda
(Aureo Gandur - Os Varandistas)
Traduzir-se - Fagner e Chico Buarque de Holanda
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
NAVIO NEGREIRO (CASTRO ALVES)
I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
II
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
NO SAPATINHO DA JANELA...
Que neste Natal sejamos mais humanos e amigos
Que os sinos de Belém encantem nossos corações
Que a ceia simbolize a importância da família
Que a vida seja celebrada com alegria e encanto a cada dia
Que nossos amigos sejam o nosso alicerce
Que o vinho seja a mais sincera recíproca
Que o mundo pare tudo por um segundo
E agradeça a nosso querido Deus por
Este momento inesquecível,
Por mais um dia vivido
E que ele esteja sempre presente dentro de nossos corações!
Desejo a vocês: amigos, familiares, professores, conhecidos e desconhecidos um Feliz Natal repleto de sentimentos puros com um bom punhado de sorte. Pois vocês, cada um a sua maneira, formam a minha fonte que nunca seca. Minha poesia, minha prosa, minhas canções!
Obrigada a todos!
Que os sinos de Belém encantem nossos corações
Que a ceia simbolize a importância da família
Que a vida seja celebrada com alegria e encanto a cada dia
Que nossos amigos sejam o nosso alicerce
Que o vinho seja a mais sincera recíproca
Que o mundo pare tudo por um segundo
E agradeça a nosso querido Deus por
Este momento inesquecível,
Por mais um dia vivido
E que ele esteja sempre presente dentro de nossos corações!
((Aline Merilene))
Desejo a vocês: amigos, familiares, professores, conhecidos e desconhecidos um Feliz Natal repleto de sentimentos puros com um bom punhado de sorte. Pois vocês, cada um a sua maneira, formam a minha fonte que nunca seca. Minha poesia, minha prosa, minhas canções!
Obrigada a todos!
domingo, 12 de dezembro de 2010
A PÁGINA EM BRANCO DA MARIANA AYDAR...
E sem elas o mundo não seria o mesmo
Sem elas o caos se uniria ao desespero
Energia conflitante possui as palavras errantes...
Palavras grandes ou ocultas,
Palavras belas ou desnudas
O poder se encontra em cada uma.
Palavra que vale mais que o papel
Palavra de plástico, sempre confiavél!
Palavras ao vento, apaixonadas...
Palavras de sangue, de luz e de barro
E sem elas o mundo não seria o mesmo
Talvez o mundo nem fosse mundo sem elas
A energia que conduz cada palavra
É fabricada dentro de nós
Que fazemos, usamos e abusamos da palavra
Cuide das palavras,
Não bata: ame as palavras!
Diga-as devagar, viva a intensidade de cada palavra
Palavra que gera, que ama e que odeia
Palavra preserva, destroi e desaparece
Escolha a palavra que definirá o seu rumo
Escrito nesta página em branco da Mariana Aydar...
[ MARIANA AYDAR - PALAVRAS NÃO FALAM ]
A DOSE DO PROBLEMA
O problema é que eu te amo:
não tanto quanto eu gostaria
mas além do que imaginava.
O problema é que eu te amo:
tanto faz se você sorri ou chora
se me ama ou odeia
o amor continua aqui dentro do meu peito!
O problema é que eu te amo:
não infinitamente
mas de forma realista.
Eu te amo
pelo simples fato
de sentir que sem você
minha vida perderia seus
momentos mais felizes e trágicos.
Porque sem a tua presença
me sinto uma simples ponte
que vai de você a um outro alguém
que por sorte ou por azar,
conquistou o seu amor.
Eu te amo
não mais que a mim,
mas o tanto quanto amo a todos e mim juntos!
Te amo
pelo prazer de amar alguém involuntariamente
sem pressa e vendo o tempo passar...
O problema é que eu te amo:
por isso tento te proteger de tudo
como se eu fosse forte e mortal.
O problema é que eu te amo:
um amor que nasceu e não sei até onde vai
talvez um dia se acabe,
mas coisa assim só no lado de fora
porque cá dentro esse é um problema sem solução.
O problema é que eu te amo:
te amo querendo, sedento e cada vez mais amando
juntando lembranças, presente e passado
colecionando um futuro que pode nem chegar
mas se chegar enfim não vou arriscar
Conviverei com o problema
Pois não há problema melhor que amar!
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
O MAR
Vem e deságua
Abraça e me prende.
Vem e percebe
O encanto, a beleza...
Mar aberto, maré cheia
Envolve-me , completa...
Vem e deságua
Mar de luz, insípido
Molha o corpo, lava a alma
Mar sem cor...
Suprema criatura.
O mar que me intriga
É o mesmo que me inspira
Vem e deságua
Na minha poesia.
Abraça e me prende.
Vem e percebe
O encanto, a beleza...
Mar aberto, maré cheia
Envolve-me , completa...
Vem e deságua
Mar de luz, insípido
Molha o corpo, lava a alma
Mar sem cor...
Suprema criatura.
O mar que me intriga
É o mesmo que me inspira
Vem e deságua
Na minha poesia.
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